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BPFron: mergulhadores do Pelotão Cobra podem apoiar forças de segurança na região

calendar_month 18 de junho de 2021
5 min de leitura

A atuação do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) no combate aos crimes transfronteiriços ganhou um reforço a mais com o aperfeiçoamento das técnicas de mergulho subaquático dos policiais que integram o Corpo de Operações de Busca e Repressão Anfíbio (Pelotão Cobra), grupo especializado na atuação em ambiente hídrico na área de fronteira.

Segundo o comandante do Cobra, tenente Ribeiro, a maioria dos policiais do Cobra possui formação no curso de Operações Fluviais e de Operações Especiais da Polícia Militar do Paraná, no qual aprendem técnicas básicas de mergulho. Portanto, o objetivo do treinamento ocorrido recentemente, de acordo com o tenente, foi aprimorar essas técnicas dos policiais. “Aprofundou-se o conhecimento, especialmente no trabalho em águas de correnteza, que são características do Rio Paraná e do Lago de Itaipu”, pontua.

De acordo com Ribeiro, as técnicas aperfeiçoadas durante o curso são voltadas exclusivamente para equipes de segurança pública, com foco principalmente em águas com correntezas e busca e recuperação de materiais. “É um treinamento bem diferente do mergulho recreativo, pois são repassados conhecimentos em infiltração em ambiente hostil e busca e recuperação de objetos”, expõe.

Ele explica que os mergulhos acontecem em situações pontuais e específicas, por exemplo, quando é necessário recuperar algum equipamento ou produto submerso. O tenente cita um acidente ocorrido recentemente quando, na ocasião, os policiais fizeram o resgate de objetos que estavam em uma embarcação que se envolveu em um acidente no Rio Paraná. “O mergulho policial é voltado principalmente para a busca de materiais que evidenciem crimes”, menciona.

A capacitação dos policiais aconteceu durante os meses de maio e se prolongou até o início deste mês, sendo possível graças a uma parceria entre o BPFron com o Centro de Mergulho Pro Diver.

Comandante do Pelotão Cobra, tenente Ribeiro: “Foi uma oportunidade sensacional e capacitou em alto nível os policiais” (Foto: Divulgação)

BPFron passa a ter uma equipe treinada para atender situações complexas que demandem buscas submersas (Foto: Divulgação)

 

Parceria

A escola de mergulho atua há dez anos nas águas do Rio Paraná e possui unidade de ensino nos municípios de Londrina, Maringá e Umuarama, e duas unidades operacionais, uma em Porto Rico e a outra em Porto Camargo.

Segundo o instrutor de mergulho e sócio-proprietário da escola, Ulysses Borotta de Campos, as aulas para os operadores do Cobra iniciaram com técnicas básicas de mergulho, ou seja, regras de segurança e utilização de equipamentos. Posteriormente, os policiais passaram por treinamentos destinados para mergulhos em águas turvas e revoltas. “É um treinamento prático para o aluno ter destreza manual e habilidades para executar as tarefas em um ambiente mais hostil”, detalha.

Instrutor de mergulho Ulysses Borotta de Campos: “O Centro de Mergulho Pro Diver está preparado para proporcionar treinamento específico tanto para militares, como é o caso dos policiais do Cobra, quanto para pessoas iniciantes” (Foto: Divulgação)

 

Controle emocional

O mergulho em ambientes de baixa visibilidade proporciona uma dose a mais de adrenalina ao mergulhador e exige maior atenção e treinamento.

E é justamente em locais inóspitos que os policiais do Cobra atuam. Tanto no Rio Paraná quanto no Lago de Itaipu as águas ficam turvas em períodos mais chuvosos, aumentando os riscos para os mergulhadores.

Segundo o instrutor, é neste aspecto que o treinamento específico para os policiais se torna importante. De acordo com ele, um dos propósitos da capacitação oferecida aos policiais é romper a barreira psicológica existente em ambientes com baixa ou nenhuma visibilidade.

Campos explica que existem padrões e procedimentos para conseguir executar o mergulho mesmo com visibilidade zero. “Independente se tem pouca ou nenhuma visibilidade, a segurança é primordial quando falamos em atividade subaquática, e existem vários fatores usados para mitigar este risco”, frisa.

Águas turvas exigem mais dos mergulhadores, pois, além da parte técnica, fator emocional é determinante para o sucesso da operação (Foto: Divulgação)

 

Necessidade

Para o comandante do BPFron, major André Dorecki, uma das características das unidades especiais das forças de segurança é o treinamento constante, e diante das doutrinas empregadas no batalhão, observou-se a necessidade de aprimorar e capacitar os policiais do Cobra. “Já tivemos no passado algumas demandas que exigiram a ação do Cobra, principalmente aquele fato lamentável com a embarcação do Exército Brasileiro quando o soldado Trarbach faleceu”, relembra.

Conforme Dorecki, o treinamento da equipe Cobra é importante porque, muitas vezes, não é possível esperar equipes especializadas em mergulho se deslocarem de outras cidades para realizar intervenções subaquáticas. “A ideia é que quem está no combate direto tenha esse treinamento para atuar o mais rapidamente possível”, conclui.

 


Comandante do BPFron, major André Dorecki: “Temos agora mais essa característica dos nossos policiais, que poderão apoiar as forças de segurança, até mesmo o Corpo de Bombeiros, se houver necessidade” (Foto: Sandro Mesquita/OP)


Pelotão Cobra atua preventivamente na repressão dos crimes transfronteiriços e tem como base de trabalho a antiga base náutica de Entre Rios do Oeste (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

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